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SB.NGNZ
004 / EXPERIMENT · 2026

TALOS

Um carro real, dirigido de qualquer lugar, visto pela própria câmera.

FIG. 1 / EXPERIMENT
DRIVERBROWSER NOW, VR NEXTON THE CARSINGLE BOARDEYES + NETWORKFISHEYE CAMERAWHAT YOU SEEMICROCONTROLLERMUSCLES + REFLEXESSTEERINGTRACTIONTHE NETWORKCOMMANDVIDEOSERIALFAILSAFE LOOP · NEVER WAITS FOR THE NETWORKTHE REFLEX LIVES ON THE CAR'S SIDE OF THE LINE01020304
Dois cérebros no carro, separados pelo prazo. Tudo o que cruza a rede é pouco confiável por padrão, então o reflexo que não pode falhar se fecha do lado do veículo.

01 / O QUE É

Um carro de controle remoto que você dirige pela internet, vendo através da câmera no nariz. Hoje a partir de um browser, depois a partir de um headset. A versão que continua me interessando é a do final: uma pista com vários carros, e pessoas competindo entre si a partir de suas próprias casas.

Ninguém precisa que isso exista. É exatamente esse o ponto: telepresença é um problema difícil, e essa versão cabe numa mesa e falha barato. Tudo o que é interessante em controlar uma máquina da qual você não está perto aparece aqui, numa escala em que um erro custa um para-choque.

02 / COMO FUNCIONA

Dois cérebros, separados pelo prazo. O carro carrega um microcontrolador e um computador de placa única, e eles são separados de propósito. O microcontrolador é os músculos: motores, direção, failsafe, um loop medido em milissegundos que nunca pode esperar por nada. O computador de placa única é os olhos e a rede: guarda a câmera, codifica o vídeo e mantém a conexão. Eles conversam entre si por uma linha serial, que é o link mais barato e mais chato disponível, e por isso o que não falha.

A linha do meio. Tudo o que atravessa a internet é tratado como não confiável por padrão. O comando vai num sentido, o vídeo volta no outro, e nenhum dos dois pode manter um motor refém. Se o link cai, o carro não fica congelado no meio da curva esperando um pacote: o reflexo está do lado dele da linha e assume o controle.

O caminho de volta é o inimigo. O vídeo que sai da câmera, é codificado, atravessa uma rede, é decodificado e chega a um headset gasta milissegundos em cada etapa. Numa tela isso é lag e você se adapta. Num headset o ouvido interno faz a conta, discorda, e você sente isso no estômago em menos de um minuto. Então o trabalho é um orçamento: medir cada etapa, anotar o número, e fazer com que tudo que queira somar a ele justifique o custo.

Um lugar real. Borracha fria agarra diferente da quente. Um conector funciona até a terceira volta. Em ambientes fechados, acelerador a fundo é inútil, então o acelerador rampeia em vez de saltar. O mundo físico continua produzindo falhas que um simulador nunca teria me mostrado, que é o motivo inteiro para construir isso em átomos.

03 / DECISÕES

O reflexo mora no veículo. Tudo que tem um prazo roda onde a rede não consegue deixá-lo sem ar. Essa é a mesma regra do resto da oficina: colocar aquilo que não pode falhar do lado da fronteira que você controla.

Um carro real, não uma simulação. A latência simulada não ensina nada sobre o conector frouxo ou o brownout quando o motor puxa forte.

O marco um é o chato. Acelerador e direção primeiro, a partir de um teclado, com o ganho reduzido a um quarto para o primeiro teste. Todo projeto que começa pelo headset termina com um headset e sem carro.

A versão inútil vem primeiro. Um brinquedo não tem stakeholders, nem prazo, nem scope creep, o que faz dele o lugar mais honesto para aprender um problema difícil.

04 / STATUS

O marco um foi fechado em junho de 2026: acelerador e direção funcionando, sem fios. Câmera e headset vêm a seguir.